Madalena, Açores

Músicas e Danças

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É o único baile espontâneo ainda vivo em Portugal. Parte indissociável do património cultural açoriano, a Chamarrita é uma dança ou, como designado localmente ‘bailho’ de roda, em que os pares no terreiro, nas salas ornamentadas ou simplesmente num recanto apropriado obedecem a um mandador, que com voz rouca indica as várias mudanças coreográficas, que ornam a Chamarrita do Pico.
Bailada com altivez, ela altera as fisionomias, acelera o ritmo das nossas vivências e empresta um élan especial a qualquer festividade, assumindo-se como parte integrante do nosso quotidiano, da nossa mais genuína identidade.
Hino (não oficial) dos picarotos, em 2015, precisamente nesta Ilha Montanha bateu-se o recorde da Maior Roda de Chamarrita do Mundo, ao reunir-se 544 “bailadores”, no Estádio Municipal da Madalena.
A conquista deste recorde do Guinness, na categoria de “portuguese folk dance” impulsionou esta secular tradição, renovando-a e projetando-a no futuro, o que se traduziu numa clara valorização da cultura regional, elevando este que é, por excelência, um dos maiores legados dos nossos antepassados num incontornável veículo de unificação das comunidades açorianas, uma poderosa aliança entre todos nós.
Hoje, o fervor do passado mantém-se incólume. À luz de uma torcida envolta em cebo de ovelha ou de azeite de baleia, é crescente o número de pessoas de todas as idades a preencher a noite em novos calões, bailando com uma intensidade e uma alegria eletrizante o nosso “balho” maior – A Chamarrita.
Também nas principais festividades da ilha, esta dança é celebrada. Pelas Festas da Madalena, um dos maiores eventos culturais dos Açores, são dezenas os grupos de Chamarrita que animam as noites arrastando centenas de entusiastas que vibram, intensamente, com este “balho” único e inconfundível, no já célebre Palco Chamarrita.
A viola típica do Pico, a célebre viola de dois corações (um que parte, outro que fica), é o instrumento essencial no “balho” embora, posteriormente acompanhada por bandolim, violino e violão.
Os tocadores famosos distinguem-se pela pancada da mola, movimento da mão sobre as cordas e sobre o tampo da viola, marcando um som metrónomo em oscilação, a cada tempo da Chamarrita.
As cantigas essas são sublimes, muitas vezes entoadas com o suor a pingar sobre a pedra encardida. Para salvaguardar este legado patrimonial único foram já reunidas em livro cinco mil seiscentos e oitenta e sete canções interpretadas por cantadores e cantadeiras que, em grande número, já partiram deste mundo deixando-nos esta rica herança cultural.
Parte integrante da genética das nossas gentes, a Chamarrita traduz a essência do nosso povo, a alma do picaroto, lutador e vibrante, afoito no voltear da vida. É uma maravilha da nossa cultura! É uma maravilha do nosso povo!

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