Arganil, Coimbra

Artesanato

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As práticas ancestrais complementares à agricultura de sobrevivência praticada pela esmagadora maioria da população até há algumas décadas atrás estão ainda muito visíveis, sendo a fabricação de colheres de pau uma das mais significativas que se conserva até à actualidade no Concelho de Arganil.
Segundo a documentação consultada, este artesanato está particularmente ligado à Freguesia da Benfeita, e em particular ao lugar de Pardieiros, a que se atribui a sua origem, espalhando-se para outras aldeias da mesma freguesia: Enxudro; Medas, Sardal, Luadas; Pai das Donas e Monte Frio.
Objecto indispensável na confecção das receitas da cozinha tradicional, vê-se cada vez mais vinculada a novas tendências e funcionalidades, numa clara relação que os designers procuram estabelecer, reinventando as linguagens da contemporaneidade, sem prejuízo de preservar a tradição.
As Colheres de Pau, talhadas manualmente em madeira de pinho bravo em estado verde, pelos colhereiros, constituem-se como o artesanato mais genuíno do concelho.
A técnica aplicada na sua construção foi passando de geração para geração sendo um legado que ao longo dos anos foi transmitido de pais para filhos e que garante hoje a continuidade das práticas ancestrais, preservando o processo de fabrico original, que recorre a ferramentas tradicionais, como a machada, a enxó, a faca, o legre, o maço e o rodilho.
O pinheiro, cortado em toros, é transportado para as “oficinas”, de um modo geral situadas num espaço anexo às habitações.
Com dois rolos, um servindo-lhe de banco e outro servindo-lhe de mesa, o colhereiro começa a construção da colher que se processa em três fases: talhar, fazer da faca e legrar. Ou seja, com golpes de machada se dá a forma rudimentar à colher, marcando-lhe o tamanho da pá e do “rabo”. Com a enxó é escavada a pá para que fique com a concavidade necessária. A fase seguinte é com a faca que começa por desbastar com golpes finos o “rabo”, no sentido da pá para a extremidade. De seguida, passa para a parte da pá moldando-lhe as costas, dando-lhe a forma arredondada. Por fim colocando a pá da colher no joelho e com o “rabo”, cravado no peito, inicia a fase de legrar. A mão esquerda, segura as costas da pá da colher e simultaneamente controla a profundidade do corte.
É geralmente produzida em 6 medidas diferentes, em comprimento e na largura da pá:
Fina; Marroquina; Butão; Porto; Meia; e Rabuda, por onde de grandeza.
A fabricação deste utensilio foi durante o século XX uma fonte de rendimento para as populações, envolvendo mais de cem homens nesta arte, só em Pardeiros.
A Colher de Pau, enquanto valioso exemplo do património cultural do concelho, tem merecido da parte do Município de Arganil uma atenção especial, com a sua divulgação em Feiras e Mostras Municipais, não deixando sucumbir uma Arte que resistiu à mudança dos tempos e dos hábitos, tornando-a num ícone turístico, através das Tradições de Cá, bem como elemento decorativo.

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