Setúbal, Setúbal

Lendas e Mitos

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Reza a história que ao chegar á Serra da Arrábida em 1539 disse Frei Martinho: «se não estou no Céu, estou nos seus arrabaldes». A Serra é desde há tempos imemoriais um lugar espiritual e indubitavelmente um dos territórios nacionais com maior presença simbólica na consciência coletiva. Conta a lenda que pelo ano de 1215 saiu de Inglaterra o mercador Hildebrant rumo a Lisboa. Navegava há dias quando se levanta uma tempestade e a embarcação se perde. Noite cerrada, tempestade violenta, a todo o momento os marinheiros receavam despedaçar-se numa rocha. Hildebrant, particularmente devoto a Nossa Senhora, corre até ao seu camarote para rezar à imagem que trazia mas não a encontra. Não esmorece e toda a tripulação reza pedindo a N Sra que lhes valha. Surge um clarão, da noite se faz dia, a tempestade amaina. Guiados pela luz navegam até à costa da Arrábida em segurança. Pela manhã Hildebrant e companheiros sobem a serra em busca do local onde tinham visto a luz que os salvara. Com espanto descobrem a imagem de N Sra que Hildebrant tinha embarcado no navio. Agradeceram a intervenção divina e consideram que ao aparecer naquele local N Sra o tinha escolhido e ali queria ser venerada. O mercador constrói uma ermida e uma casa que lhe serve de habitação tornando-se o primeiro monge ermita. A Ermida da Memória torna-se local de romagem e culto. Com a sua degradação natural e já no reinado de D. João III (1542) é fundado o Convento Velho. Graças à intervenção do Duque de Aveiro D. João de Lencastre ali se instala Frei Martinho de Santa Maria e é ordenado um Convento Franciscano. Lá vivem em celas escavadas na rocha e condições bastante austeras, os 4 primeiros frades arrábidos – Frei Martinho, Diogo de Lisboa, Francisco Pedraita e São Pedro de Alcântara. Ainda no tempo de Frei Martinho D. Jorge de Lencastre (filho do Duque D. João) inicia obras no Convento, suspensas por respeito ao Frei que achava necessária maior austeridade. Após a morte deste retomam-se as obras do chamado Convento Novo. As obras vão prosseguindo – D. Álvaro (primo de D. Jorge) manda edificar a hospedaria e projeta as guaritas; a sua nora mandará construir duas capelas, enquanto o seu filho D. António manda edificar em 1650 o Santuário do Bom Jesus. A família do 1º Duque de Aveiro foi sucessivamente sendo patrocinadora desta obra. A lenda de Hildebrant foi o ponto de partida para o culto de N Sra da Arrábida e não foi esquecida neste Novo Convento – por cima do altar mor encontramos uma pintura alusiva à mesma (terá sido pintada por José do Avelar Rebelo por volta de 1650). A construção do Convento Novo nem sempre foi consensual e conta-se que após a mudança a imagem de N Sra da Arrábida não terá ficado contente e terá “fugido” de volta para a Ermida (local por si escolhido originalmente). A lenda e o culto de N Sra da Arrábida deram origem ao Círio – na Caixa de Círio presente no Convento pode ler-se que o mesmo se terá iniciado em 1258.

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