Odemira, Beja

Rituais e Costumes

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Situado no sudoeste de Portugal, o concelho de Odemira engloba todas as características paisagísticas da região do Alentejo, a planície, a serra, o rio, a barragem, o mar e as praias, sendo esta diversidade o principal atrativo do maior concelho do país.
Integrados no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, os 12 km de praias e 55 km de costa continuam a ser a vertente mais conhecida e procurada no concelho.

A pesca esteve sempre presente no quotidiano dos odemirenses, assumindo grande importância no concelho quer no aspeto sociocultural quanto económico, sendo ainda motivo de interesse turístico a assinalar.

No final do século XIX encontravam-se na orla costeira do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina algumas pequenas povoações piscatórias, com pouca relevância no contexto nacional, mas com grande importância no contexto local e regional, na medida em que ocupavam muitos homens e mulheres que nem sempre conseguiam trabalho no campo, ajudando a sustentar a população empobrecida.
A frota de pesca local reflete e continua essa tradição antiga identificando-se de grosso modo com a realidade nacional, onde prevalecem as embarcações de boca aberta e casco de madeira, com dimensões médias inferiores a nove metros.

A pesca faz-se essencialmente no verão pois os portos e as embarcações não têm condições de operacionalidade sem bom tempo, especialmente nos pequenos portinhos de abrigo da costa alentejana como o Canal, em Vila Nova de Milfontes, Lapa de Pombas, no Almograve, Entrada da Barca, na Zambujeira do Mar e também na Azenha do Mar.

Trata-se de uma atividade muito seletiva e por isso com reduzido impacto nos ecossistemas marinhos que recorre ao aparelho de linha, aparelho de anzol, rede de emalhar, armadilhas e mariscagem. Do seu exercício resulta a captura de espécies com elevado grau de frescura muito justamente apreciadas e valorizadas, como o sargo e o robalo, congro ou safio, safia, pata-roxa, pampo, abrótea, besugo, búzio ou polvo. Os crustáceos são igualmente apetecíveis, destacando-se as navalheiras e os perceves, compreendendo-se assim a razão por que muitos turistas elegem como destino de férias esta parcela do território nacional, que alia a boa gastronomia a uma paisagem rica e diversificada.

Presentemente exercem actividade nos quatro portos de pesca do concelho cerca de uma centena de pescadores, que operam uma frota na ordem das cinquenta embarcações, que se dedica à pesca artesanal e mantém as características das embarcações mais antigas.
A proximidade com o mar contribuiu para que estas populações desenvolvessem métodos e técnicas de pesca adaptadas às condições naturais desta costa, das suas falésias e enseadas.

Em paralelo desenvolveram-se circuitos comerciais em torno da atividade que se revelaram de importância vital para a subsistência e crescimento destas populações, assumindo a DOCAPESCA – Portos e Lotas S.A., o papel de entidade reguladora da primeira venda de pescado em Lota e postos de vendagem que chegam fresco e viçoso à mesa dos restaurantes.

Realce também para a atividade da mariscagem que conta com vários mariscadores profissionais na apanha de animais marinhos na área do PNSACV, com destaque para o perceve, a atividade geradora de maior rendimento económico. A construção naval também se manifesta no concelho, particularmente na Azenha do Mar e Vila Nova de Milfontes.

É toda esta vivência identitária da nossa região, geradora de dinâmicas e de riqueza cultural tão singular que importa preservar, dignificar, valorizar e apoiar. Acreditamos que a participação nas 7 Maravilhas da Cultura Popular concorre também para esse desígnio.

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