Sintra, Lisboa

Rituais e Costumes

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As vinhas desta região, situadas próximo do mar e sujeitas aos ventos marítimos muito fortes, são protegidas por paliçadas de canas, conferindo um aspeto muito especial à paisagem vinícola.
As características únicas do vinho de Colares devem-se às castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e, ainda, ao facto de 80% da vinha estar instalada em “chão de areia”.
As caraterísticas deste terreno fizeram desenvolver uma forma única de plantio. O primeiro grande desafio começa com a plantação. Esta exige que, numa primeira fase, seja retirada a areia até ser encontrado, a vários metros de profundidade, o solo argiloso, onde as varas são “unhadas” (entaladas na argila para enraizarem). Esta técnica obrigava a que os homens escavassem enormes buracos na areia correndo sérios riscos de esta desabar e ficarem soterrados. Para poderem ser socorridos em caso de acidente era-lhes lançado um cesto para porem na cabeça o que criava uma pequena caixa de ar e permitia aos companheiros escavar, com a ajuda de enxadas sem terem receio de bater na cabeça do colega.
Após este trabalho as videiras mais resistentes crescem até chegar à superfície, onde se desenvolvem horizontalmente, coladas ao chão, num rendilhado de madeira. Para as proteger da excessiva salinidade e dos ventos marítimos são construídas paliçadas de cana seca e muros de pedra solta.
Este modelo de plantio permitiu que, no século XIX, enquanto todas as vinhas da Europa sofriam com a chegada da filoxera, a vinha de Colares resistisse. O pequeno inseto que atacava os pés de videira pelas raízes não conseguia chegar à profundidade a que se encontravam as videiras de Colares por se deslocar construindo uma espécie de túneis que se desmoronavam no solo de areia, impedindo os seus avanços.
Assim as vinhas ramisco de Colares são das poucas castas originais da Europa que ainda subsistem.
Hoje, o método de plantio mantem-se, apesar de serem usados técnicas mais modernas e que defendem mais aqueles que trabalham nestas vinhas.

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