Guarda, Guarda

Artesanato

Desde tempos remotos que a população de Gonçalo trabalha a verga e o vime, moldando estas matérias-primas nas mais belas formas de arte e que até muito recentemente foi a principal fonte económica da vila.
Qualquer cesteiro de Gonçalo aprendeu, desde muito jovem, a entrançar de forma árdua mas habilidosa, estas pontas que, com arte e engenho, se entrelaçam de forma delicada em torno de moldes, denominados de “formas”, que com a ajuda das mais diversas ferramentas e maestria passada de geração em geração, resultam no afamado Cesto de Gonçalo.
Todo este Know How permitiu à Cestaria de Gonçalo se evidenciar e que o Cesteiro gonçalense se afastasse do tradicional molde e se aventurasse por vias mais criativas e artísticas, sempre com o cunho que tão bem caracteriza a nossa cestaria, criando as mais belas peças de arte ou até de mobiliário.
A delicadeza resultante da criação de cada peça despertou o interesse da Europa, principalmente da região nórdica, que se tornou importador da nossa cestaria e que desta forma ajudou na disseminação da nossa forma de artesanato pelo globo.
Muitas eram as características e técnicas que diferenciavam o nosso cesto, uma peça fina, com entrançados únicos e de beleza invulgar, da restante cestaria praticada no país.
Com o aparecimento de novas matérias, como é o caso do plástico, o cesto caiu em desuso e assim se iniciou a crise na cestaria, uma vez que o consumidor passou a optar por solução mais económicas. A estas questões podemos aliar a dificuldade da própria arte, que se traduz em mãos calejadas, dias frios que não poderiam ser “aquecidos” de forma a manter a matéria-prima húmida e uma postura de trabalho que facilmente vergava os mais fracos e frágeis.
Nos dias de hoje, a cestaria continua a ser um elemento caracterizante da povoação de Gonçalo, estando enraizada na nossa história e que, apesar de não ter a mesma presença de outros tempos, continua a ser produzida pelas poucas mãos hábeis que se recusam a baixar os braços e deixar morrer a nossa tradição.

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