Lamego, Viseu

Procissões e Romarias

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A Romaria da Senhora dos Remédios de Lamego é um excesso de festividade, multidão e simbologia, que cruza uma matriz citadina e rural, atestando que Lamego é um património vivo, uma cidade monumento e nobre que, setembro após Setembro, abre as suas engalanadas portas de par em par, para receber milhares de romeiros e peregrinos durante os seus dias de festa, projetando a devoção, o sentido e a identidade do povo lamecense, muito para além das muralhas do seu Castelo.
De origem medieval, as Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios têm a sua génese no ritual religioso e nas peregrinações ou romarias que, então, se impunham e preenchiam toda a vida quotidiana das terras lamecenses, incrementadas aquando da construção do novo Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, concluído em 1761, desde logo muito concorrido por multidões, novenas e romagens processionais à Virgem dos Remédios, contribuindo decisivamente para a conquista de uma verdadeira dimensão de Romaria, intensa e extensa, das Festas da Cidade, num desmedido e sentido abraço entre a comoção profana e religiosa.
Hoje, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, o seu imponente escadório e o tonificante manto de verdura que envolve este compósito arquitetural e paisagístico, obra monumental que faz a honra e o orgulho da ilustre cidade de Lamego, fazendo esquecer, por breves segundos, qualquer álbum do melhor património monumental da Humanidade, projeta não somente a Romaria e as Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios no país e no mundo, mas também a identidade, o sentir e o património cultural lamecense.
E assim, ano após ano, Lamego veste-se e engalana-se para a Festa. Um mar de gente desagua numa Romaria viva e participada, onde confluem tradições seculares da mítica cidade das Primeiras Cortes de Portugal, criando-se uma ambiência festiva, humana e singular, quando no Arraial vagueia uma multidão pela noitada de Lamego, ou na Novena se gera multidão em madrugadas de fé, ou quando se lança o seu famoso fogo de artifício, que pincela e rasga os céus num pranto de cor e vivas à Nossa Senhora dos Remédios, ou se aprecia a “iluminação”, que orgulha e exalta os festejos, ou se comercializa na feira franca, ou se dança e canta ao desafio, ou se presencia o cortejo etnográfico, ou a afamada “Batalha de Flores” e a imponente “Marcha Luminosa”, que arregalam espíritos e desejos, ou se enfrentam os célebres cabeçudos, que afastam os maus espíritos nas suas arruadas, com o ruído avassalador do ressoar dos bombos, ou quando se vive a original, iconográfica e singular “Procissão de Triunfo”, que marca por inteiro a Romaria de Lamego.
É, pois, numa eloquente manifestação cenográfica e religiosa, carregada de simbolismo, espiritualidade e devoção, que a Virgem Maria percorre, no dia 8 de setembro, à tarde, num ambiente de oração e canto, as ruas do velho burgo lamecense, enchendo de silêncio a alma de milhares de visitantes em peregrinação, impondo-se, igualmente, pela sua tradição secular na autorização pontifícia para usar junta de bois no transporte dos andores e da famosa “barca da Senhora Bela”, em tributo e homenagem ao trabalho e suor das gentes de Lamego.
Então, entre grande bulício e olhares de devoção, milhares de romeiros inundam e procuram entrar no sumptuoso e ornamentado Santuário, ajoelhando e orando à Senhora dos Remédios, recolhendo-se por efémeros momentos no seguro abrigo do seu manto azul e, esquecendo o ruído das preces daqueles que com eles lentamente e em sentida romagem superaram os 925 degraus do imponente escadório da colina de Santo Estevão, numa espécie de ritual de ascensão e descensão que certifica a conquista de saúde e vida, prometem à Nossa Senhora dos Remédios regressar mais um ano à cidade de Lamego e à Romaria de Portugal.

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