Castelo Branco, Castelo Branco

Artefactos

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Este Cordofone pertence à família das Violas de Arame tradicionais portuguesas. Também é chamada de Bandurra ou Viola de Castelo Branco sendo originária da região da Beira Baixa e aparece com maior predominância na zona raiana, na faixa leste do distrito de Castelo Branco. Tem cinco ordens de duas cordas de aço que podem ser pisadas ao longo da escala e que afinam no final do braço, na cabeça, como aliás é normal. Uma das diferenças em relação às suas congéneres do norte, sul e ilhas são duas cordas suplementares muito agudas – as requintas ou cantadeiras, que não podem ser pisadas sendo tocadas soltas só com a mão direita, que afinam numa cravelha lateral e que serviriam, sobretudo, para acompanhar o canto. Este instrumento foi desaparecendo da cena musical tradicional, sendo substituído por outros, nomeadamente a guitarra clássica e o acordeão, estando atualmente a ser feito um esforço no sentido da sua revitalização, quer no que concerne à construção, quer ao seu uso. Ernesto Veiga de Oliveira diz, no seu livro “Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses” e a propósito da viola beiroa, que “A bandurra beiroa parece ter sido um instrumento da região raiana, na faixa leste do distrito de Castelo Branco (…). O seu braço é semelhante ao das violas ocidentais; ela mede, de comprimento total (num dos exemplos registados), 82 cm, dos quais 21 correspondem à cabeça, 22 ao braço e 39 à caixa; da pestana ao cavalete vão 45 cm. A largura da caixa é de 20,7cm a meio do bojo superior, 12,3cm no enfranque – que, como se vê, é extremamente apertado -, e 26,7cm a meio do bojo inferior. A sua boca é sempre redonda e pequena – cerca de 6 cm de diâmetro -, rodeada de frisos circulares lineares. De todas as violas portuguesas é esta ao mesmo tempo a mais rústica e a que apresenta maior profusão de motivos ornamentais, com entalhes preenchidos com massa negra, de tipo igualmente fitomórfico, menos estilizados do que nas outras, recobrindo praticamente toda a metade inferior do tampo.(…) O cravelhal mostra dez cravelhas dorsais, que correspondem a outras tantas cordas, num encordoamento normal de cinco ordens de cordas duplas de arame, as três primeiras ordens – as “fundeiras” (mais agudas), “segundas” e “terceiras” – de metal simples, afinadas em oitava. Assinalaremos que esta viola possui um traço peculiar, que a distingue de todas as demais violas portuguesas e que, entre nós, só ali encontramos: além do cravelhal normal existe um outro, situado no fundo do braço,(…) para duas cravelhas, também dorsais, a que correspondem duas cordas, igualmente de arame, simples, agudas e curtas – as requintas -, que não são trilhadas e se tocam sempre soltas, como na harpa.”

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