Freixo de Espada à Cinta, Bragança

Artesanato

A cultura da Seda é praticada em Freixo de Espada à Cinta desde um período anterior ao século XVII e tem-se mantido nos mesmos moldes artesanais até aos dias de hoje. Esta arte desenvolve-se através de um ciclo, que tem o seu início na cultura da amoreira para produção e colheita de folha, o único alimento do bicho-da-seda. A fase seguinte consiste na criação propriamente dita do bicho-da-seda ou sirgo (espécie Bombyx mori), desenvolvendo-se na primavera, em virtude da abundância de alimento (ou seja, folhas de amoreira). Aqui ocorre a eclosão de ovos conservados desde ano anterior, passando-se às lagartas (bichos-da-seda) e, por último, à construção e inserção destas em casulos. Ou seja, durante este período, os bichos-da-seda alimentam-se vorazmente de folhas de amoreira que artesãs diariamente lhes fornecem. Após cerca de 40 a 50 dias de crescimento e já por entre ramos de arçã colocados para o efeito, iniciam a construção dos seus casulos de Seda, onde ao fim de 3 dias se introduzem. Nesta etapa, procede-se então à seleção destes casulos já constituídos, sendo que uma minoria se destina ao nascimento de borboletas para efeitos de postura de ovos para criação de uma nova geração de bichos-da-seda. Os demais casulos são utilizados para a produção de Seda propriamente dita, extraindo-se dos mesmos um filamento que vai dar origem a esta nobre produto. O processo consiste em mergulhar os casulos numa caldeira de cobre com água a 90 graus, que permite desenrolar um finíssimo fio, cujo comprimento tem cerca de mil metros. Sucedem-se assim várias fases de produção/tratamento de Seda artesanal que passam por instrumentos diversos, como o sarilho (usado para a extração da Seda), a dobadoura (onde se doba o fio), o rodeleiro (que juntamente com o cubilho permite engrossar o fio), o fuso (para torção), de novo a caldeira (agora com água a ferver e sabão natural, para branquear a Seda) e, finalmente, o trabalho no tear. É no tear que então são criados vários produtos artesanais, tais como echarpes, colchas, almofadas, tapetes, quadros, etc., sendo possível conhecer este artesanato através de tecedeiras do concelho, assim como visitando o Museu da Seda e do Território onde aí laboram. A Arte da Seda é pois uma cultura fortemente identitária do concelho não só nos dias de hoje, bem como no passado, dado que no século XVIII Trás-os-Montes estava transformado num grande centro comercial da Seda e Freixo de Espada à Cinta representava um nicho fulcral para o desenvolvimento desta arte ancestral em Portugal e em todo o território ibérico. Desde os tempos de outrora até aos dias de hoje que a Seda de Freixo de Freixo de Espada à Cinta é conhecida pelo Mundo inteiro. Em 2018, o Presidente da China, Xi Jinping, na sua visita que fez a Portugal, distinguiu esta arte referindo que “Freixo de Espada à Cinta, um município no nordeste de Portugal, adotou, desde cedo, as técnicas da sericultura e da fabricação do tecido que vieram da China, e por isso é conhecido como a “terra da seda””. A arte de trabalhar a seda foi passando de geração em geração, tendo sido um meio de subsistência de muitas famílias freixenistas. Dado o seu caráter diferenciador, presentemente representa um valor único e real para a localidade e para a região, tendo bastante impacto na economia local, visto que permite que os visitantes realizem turismo cultural e tradicional, através de experiências no Museu da Seda e do Território, de autenticidade única local, onde é possível adquirir produtos derivados da seda e ver in loco as tecedeiras a produzirem peças de seda artesanais.

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