Mangualde, Viseu

Artesanato

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O Bordado de Tibaldinho constitui um caso específico entre os bordados tradicionais portugueses, caracteriza-se por ser um harmonioso bordado a branco, sobre tecido igualmente branco; algodão, linho ou meio linho, executado artesanalmente com grande predominância de ilhós, o que lhe confere uma gramatica decorativa e simbolismo único e singular, tornando-o inconfundível. Pelo seu valor patrimonial e simbólico considera-se um bordado genuíno e com identidade própria constituindo parte importante do património Cultural Imaterial do País.
Este bordado é elaborado por mulheres predominantemente de Tibaldinho/Alcafache que foram preservando e transmitindo as técnicas e todo o saber-fazer de geração em geração, oralmente e mediante a prática, sempre fieis à tradição.

No início desta atividade as bordadeiras compravam o pano e as linhas, elaboravam várias peças bordadas que depois iam vender a feiras, às termas da região, Alcafache, Felgueiras, Luso, Cúria, São Pedro do Sul e a outros centros populacionais.

Atualmente a maior parte dos clientes dirige-se ao atelier e salão de exposição existente desde 1988, localizado na rua principal de Tibaldinho, o qual é de extrema relevância para a divulgação, preservação e comercialização do Bordado de Tibaldinho.
Hoje em dia existem cerca de meia centena de bordadeiras que mantêm viva a tradição, sendo que, para as mais novas o bordar é uma atividade supletiva e irregular.
Executam-se diverso tipo de peças para têxtil-lar, também para outros fins, como enxovais e comunhões. O bordado de Tibaldinho é igualmente aplicado em peças de alfaia litúrgica. O bordado de Tibaldinho pode ser aplicado em variadíssimas peças, a bordadeira não se agarrou às raízes do passado, sabiamente acompanha a evolução e explora novos caminhos para a aplicação deste bordado, sempre respeitando a gramática identificadora que distingue este bordado artesanal tradicional.
No Bordado de Tibaldinho o desenho é previamente feito em papel vegetal que se coloca em cima do tecido e com lápis é decalcado através de papel químico, ajustando o desenho ao tamanho da peça. As técnicas de execução e acabamentos são relevantes, os ilhós “buracos” tem uma particularidade interessante, são abertos com tesoura, depois de terminada a peça bordada é “tosquiada” do reverso. Segue-se a lavagem manual com sabão natural, depois “branquear ao sol”, hoje já usam colocar por cima da peça bordada plástico translúcido para evitar que enxugue rapidamente. Depois de branqueado ao sol é novamente lavado, colocado em goma diluída em água e engomado ainda húmido e do reverso. No final “aparar” o recorte.
Todas estas fases têm técnicas muito próprias, que não se perderam no tempo graças à transmissão fiel da tradição desta arte.

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