Faro, Faro

Músicas e Danças

Num recanto do Algarve, algures entre o mar e a serra, há uma pequena terra de seu nome Bordeira. Um sítio pertencente à freguesia de Santa Bárbara de Nexe e ao concelho de Faro.
Bordeira é pequena em área geográfica, mas enorme em cultura, costumes e tradições. É o berço de inúmeros acordeonistas e poetas.
Ao romper de cada ano, especialmente nos dias 1 e 6 de Janeiro, Bordeira sai à rua com a sua tradição maior – as charolas – grupos que ao som de acordeão, pandeiros, castanholas e ferrinhos cantam e versam de improviso. As charolas de Bordeira são profanas, não têm cariz religioso.
Canta-se a saudade, a amizade, a crítica, a chacota, a honra no passado, o orgulho no presente, o abraço ao emigrante distante… canta-se Bordeira, terra amada.
Esta tradição, como a conhecemos, é centenária e despontou com o findar da Primeira Guerra Mundial e com o regresso dos bordeirenses desta, tendo sido recebidos em festa na terra natal.
As charolas são uma tradição que vem no ADN dos bordeirenses, uma tradição hereditária, que passa de geração em geração e que engloba gente de todas as idades.
Em Bordeira, existem 6 grupos do ativo: A Democrata, Juvenil Bordeirense, Juventude União Bordeirense, Mocidade União Bordeirense, Sociedade Recreativa Bordeirense e União Bordeirense. Cada charola reúne-se nos últimos meses do ano para preparar a sua apresentação para o ano que se segue; há que ensair músicas e letras para entrar no ano novo com a lição sabida.
Chegado o ano novo, o dia 1 de Janeiro amanhece com brilho especial e as charolas saem à rua.
A atuação d ecada grupo passa geralmente por 4 momentos: marcha de entrada – que pode ser tocada ou tocada e cantanda-, estilo – onde o começador canta uma quadra de improviso, seguido pelo restante grupo a cantar o coro e a tocar-, a valsa das vivas – onde qualquer membro do grupo ou qualquer pessoa do público pode versar sobre o que quiser- e, para finalizar, a marcha de saída – tocada e cantada por todo o grupo.
Este ano de 2020 começou em Bordeira com os festejos dos 100 anos de História das Charolas, tendo sido também criada a “Marcha do Centenário”, cantada e tocada em uníssono por todas as charolas.
Todos os anos, nos dias 1 e 6 de Janeiro, todos os caminhos vão dar a Bordeira. As ruas, os cafés, a Sociedade Recreativa Bordeirense,…todos os locais onde as charolas atuam enchem-se de gente. Bordeira recebe muitos visitantes de terras e concelhos vizinhos, que a visitaram uma vez para ver o que são charolas e se tornaram visitantes habituais, ficando também eles fãs desta tradição. Os próprios grupos também têm atuações fora de Bordeira, divulgando a tradição e levando-a mais além, tendo atuado já em sítios como Santa Bárbara de Nexe, Faro, Algoz, Paderne, Estoi, Pechão, Olhão, São Brás de Alportel, Vilamoura e até, em Lisboa, na Assembleia da República.
Esta tradição envaidece bastante o povo bordeirense, que com orgulho e brio tenta cada ano superar-se e fazer sempre mais e melhor.

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