Castelo de Paiva, Aveiro

Rituais e Costumes

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A palavra “Entrudo” significa dar entrada, começo ou o anunciar a aproximação da quadra semanal. Esta palavra é ainda hoje muito utilizada por nós, principalmente, no meio rural.
Em Portugal, uma das primeiras referências ao Entrudo encontra-se num documento datado de 1252, no reinado de D. Afonso III, embora não propriamente relacionado com festividades carnavalescas, mas com o calendário religioso. Na época de D. Sebastião são várias as menções que salientam as brincadeiras do Entrudo, entre elas, a do lançamento de farelo, que nem sempre acabava bem. Entrudo é também o nome atribuído em diversos lugares aos mascarados, conforme as regiões de Portugal.
Já na Idade Média era costume ser comemorado o período carnavalesco em Portugal com toda uma série de brincadeiras que variam de lugar para lugar.
Aos pés da Serra de São Domingos, no lugar onde o Arda encontra o Douro, existe um lugar onde o Entrudo é bastante esperado e festejado. Este lugar é denominado Pedorido, mas os seus habitantes pronunciam-no como Pédorido.
Os habitantes de Pedorido lembram-se do Entrudo desde sempre e, de facto, há registo de que este seja festejado há, pelo menos, 150 anos.
O Entrudo não é o carnaval, o entrudo é o entrudo. Esta tradição consiste num cortejo que inicialmente começava no “alto do picão” (picão é uma serra com ruas estreitas) descendo assim o cortejo carnavalesco por esta serra com o “morto” em ombros.
No entanto, com o crescimento da população do lugar devido à descoberta e, consequente, exploração de carvão das Minas do Pejão foi decidido estender o cortejo à aldeia vizinha da Póvoa. Assim sendo, atualmente, o cortejo dá-se na Póvoa, desce o Picão, como era habitual, e termina junto à foz do rio Arda.
Neste cortejo, tal como num cortejo fúnebre, ouvem-se uivos e choros dos mascarados. Toda a população participa no “funeral” incluindo o dono da funerária local que até “patrocina” com o caixão do entrudo. Finalizado o cortejo, o caixão é colocado a arder e lançado ao rio.
O local onde termina o cortejo já teve várias localizações. Inicialmente, era num local chamado lingueta junto ao rio Douro, contudo, também já foi lançado da Ponte Centenária de Pedorido. Nos dias de hoje, por recomendação da Proteção Civil, é queimado e atirado ao rio, entre as margens do rio Arda e Douro.
Queimado e afogado o Entrudo, segue-se a leitura do testamento deixado pelo falecido à população de Pedorido.
Esta é a parte mais cómica das festividades, pois, durante todo o ano são registados os momentos engraçados e peripécias que acontecem a algumas pessoas da localidade, sendo elaborado o testamento com base nestas.
É uma tradição centenária que o povo de Pedorido adora e tem orgulho em manter com os traços originais, recusando-se a ceder aos estrangeirismos cada vez mais presentes no carnaval em Portugal.

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