Loulé, Faro

Festas e Feiras

INTRODUÇÃO
A Festa da Espiga, que se celebra na Quinta-Feira da Ascensão (40 dias após a Páscoa), e que coincide com o Dia do Município de Loulé, constitui o evento mais marcante que se realiza anualmente na vila de Salir, quer pela sua expressão etnográfica e cultural quer pela mobilização popular das suas gentes.
Verdadeiro cartaz turístico do interior rural, a Festa da Espiga ganhou uma dimensão regional, recebendo milhares de visitantes que aqui se deslocam para apreciar o cortejo etnográfico, o artesanato, a gastronomia, o folclore, a poesia e toda a animação musical que aprofunda o brilho e a autenticidade deste grande acontecimento festivo.
No Dia da Espiga é tradição as pessoas irem para o campo apanharem as plantas que formam o ramo de espiga e que têm o seguinte significado: Espiga – pão; Malmequer – ouro e prata; Papoila – amor e vida; Oliveira – azeite e paz; Videira – vinho e alegria; Alecrim – saúde e força.
A Festa da Espiga em Salir teve início no dia 23 de Maio de 1968, organizada pela Junta de Freguesia, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório, figura carismática, eternamente apaixonado pela sua terra natal e um defensor permanente dos anseios e dos sonhos das populações locais.
A Festa da Espiga é hoje um grande acontecimento regional que se prolonga por vários dias e que oferece a todos os que nos visitam tudo o que há de mais autêntico e de mais genuíno no interior rural do Algarve.
Em Salir o Dia da Espiga, que de certa forma marca o início da época das colheitas, assume uma importância especial, uma vez que se aproveita esta data para levar até ao grande público as manifestações tradicionais mais características desta freguesia rural. Os intervenientes neste espetáculo ímpar no país preparam com certa antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.
A animação musical, a gastronomia local, o artesanato, e o folclore são a porta de entrada para a Festa da Espiga, onde todos sem exceção podem apreciar os tradicionais manjares serranos, o vinho e o medronho caseiros e presenciar mais de meia centena de artesãos e produtores locais que vêm até Salir dar a conhecer os seus produtos regionais.

O cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga. Tudo “ao vivo e a cores”.
Para além disso há ainda a exibição de poetas populares declamando os seus poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado.
Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população tem ainda a possibilidade de deixar uma mensagem, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, às entidades governativas presentes, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra. Aliás, os executivos da Câmara Municipal de Loulé aproveitam este dia para inaugurar uma estrada, uma escola, uma obra de saneamento básico ou um equipamento de carácter social, contribuindo assim para abrilhantar ainda mais as festividades. Mas quando essas obras não se concretizam, as críticas em tom de brincadeira são lançadas aos responsáveis governativos do município e da região.”
Tal como referido anteriormente, o desfile etnográfico é um didático reportório dos costumes ancestrais dos nossos antepassados, mostrando a rudez, mas também as alegrias da vida rural, que se manteve quase inalterada até aos nossos dias.
Nos últimos anos, a organização da festa, tem presenteado todos os visitantes com um rigor no desfile etnográfico, quer no que respeita aos trajes, há decoração dos tratores antigos, na diversidade de atividades que passam no cortejo, no número de elementos que já ascende as duas centenas de figurantes no desfile e por fim, de singular importância a capacidade de envolvência dos mais jovens nesta tradição da nossa freguesia,
Seguidamente iremos apresentar as principais e mais carismáticas tradições e atividades que marcam presença no nosso desfile etnográfico;

MONDADEIRAS
Feitas as sementeiras, quando as searas ainda não estavam muito altas, por volta de Março até ao meio de Abril, era altura da monda. E as mondadeiras lá iam arrancar as ervas daninhas, para que as searas pudessem desenvolver-se e crescer saudavelmente.
Era um trabalho de época, que tinha de ser realizado na altura certa e que reunia o maior número de pessoas para ser executado com rapidez. Geralmente, era um trabalho realizado por mulheres – as mondadeiras – que, contactadas por um homem, popularmente conhecido como “manajeiro”, eram por este vigiadas durante a monda, que exigia pressa e desembaraço.
Trabalhava-se de sol a sol. Ainda o sol não tinha nascido e já as mondadeiras tinham de estar no sítio da monda para realizar a tarefa. Tinham apenas trinta minutos de manhã para o pequeno-almoço, uma hora para o almoço e trinta minutos para a merenda. O trabalho só terminava ao pôr-do-sol e o regresso a casa era já pela noitinha. Algumas, com vozes melodiosas e apaixonantes, cantavam lindas cantigas, para que o trabalho não custasse tanto e o tempo passasse depressa.
E os versos populares tinham o acompanhamento da música da passarada que alegrava a primavera.
Mistura de fado e de folclore, o destino das mondadeiras sempre esteve ligado às raízes da terra.
Na serra algarvia ou no Alentejo, as mondas eram momentos que ficavam registados para sempre na memória do povo.

– CEIFA
Os ceifeiros – bonito quadro rústico que ainda hoje nos faz lembrar a dureza das jornadas, trabalho difícil por causa do sol, no meio de searas de pe

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