Alijó, Vila Real

Rituais e Costumes

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‘Favaios, terra de muito pão e vinho’

Favaios é uma vila privilegiada, enobrecida pelo seu património paisagístico e cultural. Em Favaios ainda persiste uma forte tradição familiar cuja sabedoria é transmitida de geração em geração: a arte de fazer pão. O pão de Favaios, também conhecido como ‘pão de quatro cantos’ ou simplesmente por ‘trigo’, continua a ser, sobretudo, um negócio familiar com um peso considerável no panorama socioeconómico da vila – já em 1645 havia 22 padeiras registadas em Favaios, sendo este número apenas comparável às metrópoles Porto e Lisboa. Este pão, facilmente reconhecido pela sua forma com quatro cantos, evoca o cheiro que nasce na tradição e na forte ligação ao património cultural desta vila. Ainda que a sua origem seja uma incógnita, o modo de fabrico artesanal prevalece e os ingredientes respeitam a tradição: farinha, sal, fermento e água. Tradicionalmente, a água utilizada para o fabrico do pão era trazida das fontes e talvez tenha sido esta a inspiração para uma história orgulhosamente partilhada e que revela a importância da pureza dos elementos. A cultura popular diz que um Favaiense tentou reproduzir o famoso pão de Favaios no Brasil. Apesar de respeitar a forma de o fazer, o sabor não era o mesmo. Diz-se, então, que regressou a Favaios, encheu várias bilhas com água da fonte e só assim conseguiu reproduzir o verdadeiro sabor! Quem deambula pelas ruas da vila consegue reconhecer as padarias tradicionais através das chaminés altas, do fumo e dos aromas a lenha fina queimada que emanam dos fornos centenários. E assim dita a tradição: é quando a massa está lêveda que se dá a forma de quatro cantos ao pão: a padeira tende a massa estendendo, dobrando, enrolando e vincando ao meio, em gestos elaborados mas rápidos, num total de 12 voltas (voltas estas, essenciais para o formato característico). Um outro ritual também se perpetua: antes de se cobrir o pão, fazem-se três cruzes com a mão dizendo-se na primeira ‘São Mamede te levede’, seguido de ‘Nosso senhor te faça pão’ e na última cruz ‘Nosso Senhor Jesus Cristo te deite a sua bênção’. Dizem os mais sábios que o pão tradicional de Favaios tem este formato singular para que, com um gesto simples, possa ser partilhado. Esta é uma arte que exige sacrifício e deve ser encarada como uma herança. Só assim se assegura que este legado perdure até às gerações seguintes.

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