Beja, Beja

Artesanato

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A arte da olaria em Beringel tem muitos anos, e já foram muitos os que abraçaram o ofício por aqui. Hoje, o mestre António Mestre é o único que se dedica à arte de fazer talhas, potes e outras peças de grande dimensão. Iniciou no ofício ainda com tenra idade, saia da escola e ia ajudar o pai, também ele oleiro. Com 26 anos, começou a trabalhar por conta própria. Nunca tinha feito nem visto fazer peças com mais de 1 metro, mas foi fazendo até lhe ganhar o jeito, aprendeu à sua conta, diz-nos. Neste processo tudo é feito por si, desde apanhar o barro, numa das courelas que tem em Beringel, até ao forno, nada escapa à sua meticulosa arte de trabalhar a terra. Apanha o barro entre agosto e setembro e só a 30/40 cms de profundidade encontra qualidade desejada. Depois armazena-o no quintal, debaixo de telha. De seguida, leva-o para um tanque no interior da casa e todos os dias lhe deita um pouco de água. Nesta altura, faz logo a mistura das várias qualidades de barro, na proporção que entende adequada ao tipo de peças que vai produzir. Daqui o barro vai para a máquina de amassar, a única peça mecânica que se vê na oficina e que comprou já lá vão 30 anos. O barro é passado na máquina por duas vezes para tirar impurezas. E fica pronto para ir para a roda. Todas as peças vão à roda, mesmo as talhas, que chegam a atingir dois metros de altura. Estas são feitas às partes, regra geral, o fundo, o bojo e o colo. E é fora da roda que juntas começam a ganhar forma, moldadas pelas mãos hábeis do mestre. Depois de completas, ficam a secar vários dias, o que varia consoante a época do ano. Quando, depois de ‘muito abraço’, percebe que estão no ponto, vão para o forno. Não se trata de um forno qualquer, foi construído por si, numa casa abrigada do vento e da chuva, com tijolo de burro. É alimentado a lenha, e, embora qualquer tipo de lenha sirva, há uma especial para dar a cor pretendida ao barro. Começa a encher o forno com as peças que pretende cozer, com a boca virada para baixo, garantindo espaço livre até ao teto para respirar e não deixando as peças tocar nas paredes laterais nem umas nas outras. Fecha o forno com uma parede de tijolo de burro travado. Há que garantir que não entra vento no forno. Depois começa por fazer o resquento – pré-aquecimento do forno, e, a pouco e pouco começa a aumentar a temperatura até atingir os 800º/850º. É fundamental manter a temperatura estável durante o processo de cozedura, que pode durar 8h. A fase final da cozedura volta a ser muito delicada, para que o fumo não tisne o barro. Só na manhã do dia seguinte se abre a porta do forno, tirando uma fiada de tijolo, de hora a hora, com muito cuidado. A meio da manhã já se começam a tirar as peças para fora. As talhas para vinho ainda levam o pezgo, banho para impermeabilizar o interior. E estão prontas para as entregas. Hoje, com a ‘moda’ do vinho de talha, o mestre não tem mãos a medir com as encomendas, que chegam de todo o país e do estrangeiro

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