Coimbra, Coimbra

Músicas e Danças

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Designa-se por Fado de Coimbra as canções cantadas pelos populares e pelos estudantes de Coimbra, tais como, as canções de trabalho, os cânticos de embalar, as cantigas de amor, as cantigas das lavadeiras, as barcarolas, os noturnos (relacionados com as serenatas), os descantes, os romances, as trovas, as baladas, as canções de intervenção, os sonetos cantados, entre outros.
Fruto de uma coexistência musical entre populares e académicos, a Universidade de Coimbra é um dos poucos Estudos-Gerais oriundos da Idade Média que viu os seus escolares interpretarem um repertório influenciado pelos cantares populares da cidade, sendo, no mundo, uma das raras universidades possuidoras de uma canção própria.
A partir de meados do século XIX, cantava-se nesta cidade um repertório constituído pelo Cancioneiro Popular de Coimbra, o Cancioneiro Estudantil, os diferentes géneros musicais provenientes de uma Europa cosmopolita (valsa, sonata, polca, mazurka, modinha, lied, etc.); também, desde 1892, as Baladas de Despedida dos Quintanistas começaram a surgir, interpretadas nas récitas estudantis com o recurso a orquestra, coro e solistas; os temas de serenata continuavam muito em voga, assim como quadras ao gosto popular criadas por estudantes-poetas ou temas populares aos quais os estudantes lhes adaptavam letras de sua autoria.
A especificidade do Cantar Coimbrão assenta numa toada matricialmente identificada com a música popular de Coimbra, numa maneira de cantar própria da região e na afinação dos instrumentos que constituem o seu toque tradicional, bem como no tipo de dedilhação da Guitarra de Coimbra.
Estas especificidades reforçam algumas características que abriram portas a uma verdadeira escola de vocalização e de expressão musical que não permite confusão com qualquer outro género musical: uma riqueza de modulações, nas quais a melodia cantada assume maior relevância em detrimento da parte instrumental; por uma projeção vocal de forte intensidade, reflexo de uma colocação de voz que permite um volume e uma extensão consideráveis para um Canto de rua; uma liberdade rítmica, embora em andamento moderado, o que lhe confere uma tendência melancólica e plangencial; suspensões vocais nas passagens mais agudas; uma variedade harmónica fruto do modo de encadear os acordes; uma vocalização sem portamentos, isto é, sem a ligação de dois sons que se arrastam, fazendo sentir, de permeio, uma infinidade de sons intermédios; uma vocalização sem melismas, ou seja, sem o cantar várias notas musicais sobre uma só sílaba.
Ontem como hoje, o fado continua presente em Coimbra resgatando, divulgando e apresentando esta expressão musical como marca identitária que valoriza a oferta cultural e turística da cidade.

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